-DIA INTERNACIONAL CONTRA A HOMOFOBIA-
O Brasil ainda é um país com altos índices de crimes contra homossexuais e às vezes parece que damos passos para trás em relação à tolerância. Espero que chegue logo o dia em que ninguém se incomodará com a maneira de cada um de encontrar sua felicidade.
Infelizmente muitos, ainda cegos, não veem que suas crenças não são verdade absoluta, que não há respostas definitivas para as questões humanas. Ao invés de nos sentirmos ameaçados ao nos depararmos com alguém que vive uma outra verdade, por que não o acolhemos? Certamente há algo belo e comovente nesse outro caminho de buscar a felicidade. Mas para isso é necessário calar um pouco e ouvir, e esse é o grande exercício que ao meu ver a maioria não está disposta a fazer: ouvir o outro sem pré-conceitos. Essa é uma das atitudes mais ameaçadoras para uma pessoa, pois somos obrigados a sair de nosso isolamento, onde somos fechados em nossas verdades rígidas e correr o risco de surgirem questionamentos, correr o risco de nos identificarmos e nos colocarmos no lugar do outro e, então, talvez aquelas verdades sólidas comecem a ruir e nosso porto seguro desmorone sob nossos pés. Ouvir é perturbador demais, transformador demais. Preferimos então calar o outro, destruir sua voz para que ela não ecoe no mundo semeando reflexão por onde passar. Refletir pode levar a discordar, à discórdia, ameaçando a "harmonia" mórbida e pálida dos homogênicos, onde os homossexuais não tem vez. Só que há ainda os que tem um pouco mais de consciência do politicamente correto e ficam em silêncio, não se colocam contra, -"Eu tenho vários colegas gays", mas no fundo seu silêncio é tão frio e violento quanto os discursos de intolerância mais inflamados, pois em momento algum há uma sincera abertura para ouvir e se identificar com o outro, para questionar ou ao menos relativizar suas verdades. Seu silêncio não é o daquele que ouve de coração aberto, é mais uma recusa politicamente correta a ter compaixão.
Mas não adianta, o sol vai voltar, a escuridão não vai durar muito, pois as vozes não vão se calar. Ainda é preciso gritar, mas sei que logo será apenas necessário olhar nos olhos e sussurrar, e eles vão ouvir com o coração aberto, sem todo esse medo que tem agora. Sem medo de abrir a mente, de romper com falsas certezas que atam e isolam o homem. Afinal, tudo o que há é apenas uma longa busca, tateando no escuro, da qual todos fazemos parte. Todos estamos perdidos, desejando que o sol nos aqueça de novo pela manha, desejando o contato com o outro, ansiando pelo dia em que nós, os bem aventurados, nos uniremos novamente. Gritamos nossas dores dilacerantes sem saber de fato se somos ouvidos e num ato de comovente fragilidade revestimos as coisas às quais damos importância de um manto sagrado, só para apaziguar a dúvida: alguém ouve nossas súplicas? Sem respostas, sem certezas, ainda somos intensos, fantasminhas claros de amor, sem importar o gênero.
Morgen!
Und morgen wird die Sonne wieder scheinen
und auf dem Wege, den ich gehen werde,
wird uns, die Glücklichen sie wieder einen
inmitten dieser sonnenatmenden Erde...
und zu dem Strand, dem weiten, wogenblauen,
werden wir still und langsam niedersteigen,
stumm werden wir uns in die Augen schauen,
und auf uns sinkt des Glückes stummes Schweigen...
Amanhecer!
E pela manhã o sol voltará a brilhar
e no caminho que percorro
nós, os bem aventurados, nos uniremos novamente
no seio dessa terra que respira a luz do sol...
e na praia, ampla, de ondas azuis,
calma e vagarosamente desceremos,
silenciosamente nos olharemos no olhos
e sobre nós cairá o mudo silêncio da felicidade...






